Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Perceber os Cães: A Silenciosa Linguagem do Olfacto


Perceber os Cães: A Silenciosa Linguagem do Olfacto

Não há cão que dispense uma janela aberta enquanto anda de carro e, mesmo que o dono resista, é difícil ignorar os pedidos para correr o vidro. Mas se alguém lhes bufar para o focinho, eles ficam irritados e por vezes chegam a amuar. À primeira vista, pouca coisa podia distinguir estas duas situações, ambas se relacionam com vento no focinho, mas alguns especialistas começam agora a afirmar que a disparidade de reacções está relacionada com a linguagem silenciosa do olfacto.

Os cães têm um olfacto apuradíssimo, o que compensa alguns sentidos menos desenvolvidos como o tacto, o paladar e alguns aspectos da visão, como a identificação da cor.

Não é difícil perceber por que razão os cheiros assumem um papel crucial na vida dos cão. O nariz comprido e espaçoso aliado a um cérebro onde a interpretação destes dados assume uma vasta área fazem do olfacto o principal sentido dos nossos amigos de quatro patas.

Para termos uma ideia até onde vai a capacidade olfactiva dos cães basta fazermos algumas comparações:

  • Os cães conseguem cheirar mil vezes melhor do que os humanos;
  • Os cães têm em média 200 milhões de receptores olfactivos no nariz, enquanto os humanos só têm cinco milhões. O Bloodhound tem em média 220 milhões;
  • As ramificações dos nervos olfactivos estendem-se em média por 100 cm2 nos cães, enquanto que nos humanos restringem-se a uns meros 10 cm2.


Como se estes dados anatómicos não fossem suficientes para provar a superioridade olfactiva do cão, há ainda outras particularidades físicas que os destacam na “arte de cheirar”. Os cães têm narinas móveis que se podem posicionar para melhor captarem os estímulos olfactivos e a humidade presente nos seus narizes ajuda também a captar os químicos que vagueiam no ar e reencaminhá-los para as cavidades nasais.

Para além disto, os cães, tal como todos os tetrápodes, têm um outro órgão que também se dedica à interpretação de aromas. O órgão de Jacobson ou vomeronasal situa-se entre o nariz e a boca e acredita-se que desempenha também um papel importante na detecção das feromonas.

Super-narizes...

A superioridade do nariz canino fez com este animal seja utilizado na busca e salvamento de pessoas (sobretudo após desastres naturais nos quais há desabamentos de edifícios ou aluimento de terras) na detecção de minas terrestres e tráfico de droga e, mais recentemente, estuda-se as capacidades na detecção de doenças nos humanas, como alguns tipos de cancro, através da alteração dos químicos que emanam do nosso corpo.

Na verdade, o treino destes super-narizes começa desde o nascimento. Enquanto pequenos, os cães guiam-se pelo cheiro para chegar às tetas da mãe e para reconhecer e identificar tanto a mãe como os irmãos.


...mas uns melhores do que outros

Existem diferenças na capacidade olfactiva entre os machos e as fêmeas e também entre as várias raças. Acredita-se que os machos são melhores “farejadores” do que as fêmeas, talvez por serem mais competitivos e sensíveis à marcação de território.

Algumas raças que foram criadas selectivamente para a caça através do olfacto distinguem-se na capacidade de seguir rastos. O campeão destes cães (Scent Hounds) é o Bloodhound (Cão de Santo Humberto), capaz de seguir uma pista exposta aos elementos naturais mesmo passado dois dias. Muito conceituados também pelas suas capacidades de seguir rastos são: o Basset Hound, o Beagle, os vários Coonhounds, o Dachshund, os vários Foxhounds, o Harrier, o Ibizan Hound (Podengo Ibicenco), o Otterhound, entre outros.

Entre aqueles com o olfacto menos desenvolvidos estão as raças que têm focinhos achatados, como por exemplo o Pug.

Estudos revelaram que as ramificações dos nervos olfactivos no Pequinês não se estendem para lá dos 20 cm2 (semelhante a um gato), enquanto no Pastor Alemão chegam a atingir uns vertiginoso 170 cm2.

Mas mesmo os mais eficazes narizes têm as suas limitações. Tal como acontece nos humanos, após a exposição de um cão a um determinado cheiro, geralmente durante dois minutos, o nariz habitua-se ao aroma e deixa de o conseguir detectar. A isto chama-se adaptação olfactiva e é a razão pela qual os cães caçam em grupo. Enquanto o nariz de um cão descansa do rasto, isto é, deixa de estar “colado” ao chão, ele segue aquele que começou agora a farejá-lo, trocando sucessivamente de posição.


Meu faro, meu mundo

O Bilhete de Identidade de um cão para os humanos é o microchip que se insere no dorso do animal onde um número ligado a uma base de dados nos fornece informação sobre os donos, morada e outros dados relevantes. Mas os cães conseguem saber isso e recorrendo às suas extraordinárias capacidades olfactivas.

Os cães identificam-se através do cheiro emitido por um glândula situada na região do anus. Cães mais dominantes exibem orgulhosamente o seu cheiro, enquanto cães medrosos, escondem essa região entre as pernas. Este cheiro revela a um cão não só a identidade do outro, mas também por onde ele andou e mesmo aquilo que o outro comeu, o que no estado selvagem revelaria também a sua posição na matilha. De facto, o cão Alpha, o mais dominante, come primeiro do que o resto da família e tem assim direito às melhores partes da carne da presa. Os cães conseguem identificar o tipo de alimentação através das fezes ou do cheiro dessa glândula e concluir assim, quem é o macho e fêmea dominantes.

Não sabemos ao certo tudo aquilo que os cães conseguem descobrir através do cheiro, sabemos que conseguem identificar os donos, por onde o cão andou, conseguem identificar o sexo e, caso seja fêmea, conseguem identificar se esta está ou não com o cio. As fêmeas chegam a ter 52 variações químicas na sua urina durante um ano, que entre outras coisas indicam a sua apetência sexual. Esta é uma informação que os cães gostam de saber ao pormenor e fazem questão de aprofundar o máximo possível a análise.

Alguns cientistas acreditam que os cães conseguem ainda detectar feromonas que revelam o estado de espírito do outro cão, sendo assim capazes de identificar a disposição de cada animal através de algumas inspirações.

Para um cão, cheirar o chão é saber as últimas novidades do quarteirão. Impedir que um cão cheiro o mundo que o rodeia, é impedi-lo de conhecer as características do sítio onde vive.


Comportamentos pestilentos

A urina e as fezes são a forma dos cães marcarem o território. Ao cheirá-las o cão consegue identificar a quem pertencem e quando foram deixadas. A marca mais recente é sempre aquela que domina, por isso os cães tentam sempre renovar as suas marcas. Existe ainda alguma controvérsia na interpretação do comportamento de alçar a pata para urinar. Há quem defenda que só os machos e as fêmeas dominantes é que o fazem, enquanto outros dizem que este comportamento está relacionado com a infantilização dos mesmos. Outro aspecto pouco consensual parece ser a questão da altura a que a urina fica marcada. Alguns especialistas dizem ter notado que os cães mais dominantes esforçam-se para projectarem o mais alto possível a urina nas paredes, posts, muros, etc. Isto daria aos outros cães a ideia de que o cão dominante seria muito maior e por isso mais dificilmente contestariam a sua dominância.

Os cães têm também o hábito de se esfregarem nas fezes de outros animais, o que não é nada agradável para o dono que depois tem de remediar a situação. De facto, os parentes mais próximos dos cães, os lobos, também demonstram este comportamento. Ao contrário dos gatos, que disfarçam o cheiro para escapar aos predadores, os lobos e os cães disfarçam-no para que não sejam detectados pelas suas presas. Embora os cães domésticos já não necessitem de caçar para comer, estes hábitos subsistem desde o tempo em que esta era a sua forma de sobrevivência.

Com a consciencialização da importância do olfacto para os cães, fica mais fácil para os donos perceberem a razão que se encontra por detrás de reacções tão diferentes que o cão demonstra quando lhe sopram para o focinho e quando vai à janela de um carro. Na primeira situação, o cão consegue distinguir todos os cheiros que vêm do interior do corpo do dono e provavelmente há algo que não lhes agrada. À janela, o cão apanha todos os aromas do meio que o rodeiam, permitindo-lhe explorar o mundo. Os cheiros viajam pelo ar e, para um cão, o vento é uma combinação de milhares de aromas que vagueiam à espera de serem farejados. Por isso, acima de tudo, deixe o seu cão conhecer o ambiente que o rodeia, uma vez que para ele é tão estimulante como uma boa brincadeira no parque.

 

Fonte: Arca de Noé

sinto-me:
música: Beautiful Girls - Sean Kingston
publicado por mímica às 21:26

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