Sábado, 7 de Setembro de 2013

Como os animais realmente enxergam o mundo

Cães são tão conscientes quanto você, gatos funcionam como radares e papagaios veem cores invisíveis. Conheça uma nova realidade: o mundo sob a ótica dos pets.

por Carol Castro e Alexandre Versignassi


Três andares acima do térreo, a alguns lances de escada de distância, muito antes de você apalpar os bolsos em busca da chave, seu cachorro o aguarda ansioso atrás da porta. Ele sabe que você, e não o seu Zé, que recolhe o lixo do prédio todos os dias, está prestes a subir até o terceiro andar. Basta colocar o primeiro pé dentro de casa para receber a saudação calorosa do bichinho. E não importa com quem você esteja. Se chegar acompanhado com velhos ou novos amigos, ou mesmo com seu irmão gêmeo, que mora no exterior há alguns anos, ele não vai pular nas pernas erradas. Ele sabe quem é você.


Mas não sabe quem ele é. Coloque um ser humano em frente ao espelho e este animal bípede começa instintivamente a mexer no cabelo (achando que um tapinha na franja realmente vai deixá-lo mais bonito). Um cão, porém, consegue ser ainda mais bestial: a reação dele ao espelho é a mais completa indiferença. Nem uma olhadinha. Ele não reconhece a própria imagem. E se não reconhece a própria imagem, não tem aquilo que chamamos de consciência, certo? Até pouco tempo atrás, era o que a ciência achava. Animais que reconhecem a própria imagem no espelho teriam consciência - e aí entram basicamente nós, nossos primos (os grandes macacos - chimpanzé, gorila, orangotango), cetáceos e elefantes. Os bichos que não se reconhecem não teriam noção de "eu". Não teriam consciência.


Mas a verdade provavelmente é outra. O problema não está nos animais que não se reconhecem no espelho. Está em quem testa a presença de consciência sob a ótica humana. O mundo de um cachorro ou de um gato não se cria majoritariamente com imagens, como o nosso. Eles veem com sons e, principalmente, cheiros. E o espelho exclui a melhor arma de reconhecimento do cachorro: o olfato. O biólogo Marc Bekoff, da Universidade do Colorado, testou o próprio bichinho para saber se ele era capaz, de alguma forma, de se reconhecer. Em vez de testar imagens, Bekoff pensou como um cão. Durante cinco invernos, toda vez que saía para passear com o companheiro, recolhia pedaços de neve onde o cão havia feito xixi. Depois, recolhia neve com urina de outros cachorros.


Então Bekoff espalhava os blocos de neve - alguns com xixi do cachorro dele, outros com o de outros cães -por lugares diferentes. E a reação do melhor amigo do pesquisador era sempre a mesma: quando encontrava a urina de outro cão, despejava um novo jato de xixi em cima para marcar o território como dele. Normal. Mas quando encontrava um bloco com a própria urina, não dava bola. Sabia que aquele xixi já era dele, então o território não precisaria de remarcação. Resultado: o cachorro sabe muito bem quem ele é. Mas diferentemente de você, que se reconhece pela fisionomia, ele faz isso pelo cheiro.


 Se o nosso mundo é rico em imagens, o dos animais domésticos, as estrelas desta reportagem, vem carregado de sons, cheiros e sensações. E qualquer coisa acompanha uma porção de informações: um poste é uma fonte rica de notícias, diz se outro animal passou por ali, quem era, e há quanto tempo isso aconteceu. Ainda é impossível aguçar nossos sentidos, entrar na pele deles e entender a riqueza de cada cheiro, som, imagem ou sabor. Mas dá para entender como eles veem o mundo e descobrir por que seus pets insistem em fazer coisas que você odeia - ou adora.



 Olfato além do alcance


Rememore a primeira informação desta matéria: gatos e cães constroem o mundo com cheiros, sons e um pouco de imagens. Para os cães, o olfato é fundamental. Existem entre 120 e 300 milhões de células olfativas dentro do nariz. Nós temos apenas 6 milhões. O que isso significa? Que eles podem até detectar câncer em humanos só farejando nosso hálito.


É o que pesquisadores do hospital Schillerhoehe, na cidade de Gellingen, Alemanha, descobriram em 2011. O oncologista Thorsten Walles e seus colegas deram amostras de tumores para que os cães farejassem. Era uma forma de treino, como fazem com cães farejadores de drogas - dão um osso de borracha com cocaína dentro para que o cão aprenda a reconhecer o cheiro do entorpecente; aí ele consegue reconhecer cocaína camuflada até dentro de sacos de café no fundo de uma mala. 



Os alemães fizeram mais ou menos isso, só que com amostras de células cancerosas. Depois, pacientes com câncer de pulmão em estágio inicial sopraram dentro de tubos de ensaio (que eram tapados em seguida). Os cientistas treinaram os cachorros para sentar cada vez que sentissem "cheiro de câncer" em algum desses tubos de ensaio. E os cachorros acertaram 71% dos casos.

 

A ideia dos pesquisadores agora é construir uma espécie de "nariz eletrônico" que seja capaz de reconhecer os mesmos elementos químicos característicos de câncer que os cães farejam. Seria uma máquina capaz de detectar a doença logo nos estágios iniciais - uma revolução no mundo dos diagnósticos, que certamente salvaria vidas. Mas, por enquanto, há um problema: determinar quais são esses elementos químicos que denunciam a presença de um tumor. Como disseram os pesquisadores: "Infelizmente, os cães não têm como nos dizer qual é a bioquímica do cheiro do câncer". Seja como for, o olfato deles continuará sendo uma ferramenta fundamental nessa busca.

Não é apenas a quantidade de células olfativas que deixa o nariz dos cães tão poderoso. As partes internas do nariz e suas divisões têm um papel importante. Para saber como funciona mesmo o nariz deles, uma equipe da Universidade do Estado da Pensilvânia convocou sete cães, colocou máscara neles e despejou alguns odores. Os pesquisadores conectaram o nariz de uma das cadelas participantes a um equipamento de ressonância magnética. Aí revelaram o caminho do ar dentro das narinas caninas. Descobriram áreas específicas de respiração e expiração. No nosso caso, por exemplo, não temos uma área onde guardamos o ar inalado e outra onde fica o ar exalado. Por conta disso, quando respiramos, paramos de "farejar" e soltamos todo o gás, carregado de odores, de volta para o mundo. Nos cães isso é diferente, enquanto respiram o processo olfativo continua ligado. E nenhum odor passa batido pelo cão. Por isso mesmo, tanto eles como os gatos (outros campeões na detecção de odores, com 200 milhões de células olfativas) usam o nariz para se reconhecer e trocar informações.


E para "coversar" com você. Fungando suas meias e sapatos, eles descobrem por onde você andou, se encontrou com outras pessoas, o que comeu, se fez sexo, fumou ou correu. Entende agora como seu calçado é tentador para eles? O sofá e a sua cama também. E onde mais houver o seu cheiro. Por isso mesmo, gatos e cachorros preferem ficar perto de lugares onde podem sentir o cheiro dos donos. Mesmo se for a sua poltrona nova. Isso funciona também com roedores - quando vão mudar de gaiola, recomenda-se colocar algum pano com o cheiro da gaiola antiga - e do dono.


O papagaio não se importa tanto assim com o seu cheiro. Com faro pouco desenvolvido, ele reconhece você pela aparência ou voz. O paladar de um papagaio, aliás, também é péssimo. Enquanto nós temos 9 mil papilas gustativas, nos papagaios esse número varia de 300 a 400. E ele não fica sozinho nessa pobreza gastronômica. Na língua dos gatos só aparecem 473 papilas. Os cachorros têm um pouco mais: 1,7 mil. Assim como os papagaios, esses dois mamíferos conseguem distinguir as quatro principais características da comida. Mas seu gato dispensa os doces, e o cachorro detesta comidas amargas (passe um caldo de jiló na ponta do móvel que ele adora morder para ver se essa mania não acaba). Com um paladar tão fraco, os dois não se importam em degustar com calma um prato de ração premium. Eles devoram os pratos - para que perder tempo se não tem um milhão de sensações para descrever, como fazem os humanos? Aliás, é por causa desse ponto franco que os dois animais engolem qualquer comida que cair no chão. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 No fim da história, quem sabe mesmo apreciar um jantar são os roedores. Os porquinhos-da-índia e os coelhos têm 17 mil papilas gustativas espalhadas pela língua. Quase duas vezes mais do que nós. Então eles exigem um cardápio selecionado. Alguns desses bichinhos gourmet, para você ter uma ideia, até rejeitam verduras e folhas com agrotóxicos.

Mas a falta de sensibilidade dos cães e gatos fica só no paladar mesmo. Nas coisas que realmente importam para a nossa convivência com eles, os animais domésticos são gênios da percepção. Até os cavalos são mestres nesse quesito. 

 

 

 Os sons do silêncio



A história de Hans, um cavalo alemão, mostra bem a capacidade de observação e associação dos animais que criamos. No começo do século 20, ele se tornou celebridade por acertar equações matemáticas. O dono escrevia na lousa uma conta como 1/2 + 1/3 e pedia a resposta ao animal. Ele batia a pata cinco vezes no chão, esperava uns segundos e batia mais seis vezes. Ou seja: 5/6. O dono dizia ter treinado o animal por dez anos.

Pura malandragem do treinador. Por trás do "raciocínio lógico" do equino, o que havia era uma capacidade ímpar de observação. Ele conseguia perceber sinais sutis no rosto do dono, que o público não tinha como observar. E, assim, descobria quando deveria bater ou não as patas no chão. Ou seja: um cavalo pode ser um ótimo parceiro de truco.


     


Cães e gatos também. Eles reparam, associam e memorizam tudo. Cada gesto, cada barulho. Tudo serve de pista sobre o próximo passo do dono. Aquele tilintar de chaves sempre vem antes da despedida. O cheiro do perfume também precede a sua saída. Eles guardam e aprendem com esses sinais. Sabem quando você está prestes a ir embora - e demostram toda a tristeza que sentem nesses momentos...

É quase impossível escapar do radar dos cães e dos gatos. Os felinos escutam ainda melhor que os cães. E absurdamente mais do que você. Um som que passe dos 20 mil hertz (o extremo do agudo) fica inaudível para nós. Já os gatos ouvem até 60 mil hertz. Os cachorros chegam aos 45 mil hertz. Isso porque os dois evoluíram caçando roedores, então conseguem captar os sinais hiper agudos que os ratinhos emitem para se comunicar. Nem o som das vibrações corporais dos cupins passa batido pelos gatos. Até o som de lâmpadas fluorescentes (sim, elas fazem barulho) eles conseguem captar. Segundo a especialista em comportamento animal Temple Grandin, da Universidade do Colorado, se você estiver conversando no térreo, seu gato vai ouvir e reconhecer sua voz lá do décimo andar. Insano.

Eles ouvem sons naquilo que para nós é silêncio. Mas isso não impressiona tanto quanto uma habilidade de outro animal doméstico: o papagaio, que enxerga o que para nós é invisível.


Papagaios psicodélicos




Os papagaios veem o mundo com visão ultravioleta. Na prática, enxergam cores invisíveis. "Quando eles olham para os pelos de outro papagaio, conseguem saber se é macho ou fêmea", diz Susan Friedman, especialista em comportamento animal da Universidade do Estado de Utah. Já nós, humanos, não conseguimos diferenciar papagaios de papagaias - só mesmo com intervenção cirúrgica para checar os órgãos genitais (um processo bem invasivo), ou com teste de DNA.

A visão ultravioleta também permite saber o grau de maturação de algumas frutas, como uvas, caquis e figos. Mas a graça dela vai bem além dessa parte mais pragmática. O mais bacana aqui é que os papagaios veem um mundo que para nós seria psicodélico. Temos três receptores de cor nos olhos (para verde, azul e vermelho). Então essas três são as nossas cores primárias - e a combinação entre elas cria as cores do nosso mundo. Os papagaios (e outras espécies de aves, peixes e répteis) têm quatro receptores: os nossos mais um dedicado ao ultravioleta. A combinação desses quatro cria um mundo estupidamente mais colorido que o nosso - um mundo tão difícil de imaginar quanto uma realidade com quatro dimensões, em vez das três que a gente conhece. O fato é que, se papagaios produzissem caixas de lápis de cor, elas teriam milhares de lápis. E olha que isso não é nada perto do que outros animais enxergam. O campeão mundial de visão, por exemplo, tem 12 receptores de cor. Doze cores primárias... Uau. E esse nosso amigo pra lá de lisérgico nem é um animal dos mais relevantes: trata-se do mantis, uma espécie de camarão.



Bom, pelo menos no mundo dos mamíferos nós levamos vantagem sobre os animais domésticos. O gato e o cachorro possuem só dois receptores de cor (azul e verde). Então o mundo deles é um pouco menos colorido que o seu. E diferente: o vermelho vira verde, o verde ganha um tom mais amarelado, e o violeta fica azulado. Até o preto parece mais desbotado. O porquinho-da-índia, diferente de outros roedores, que só enxergam em preto e branco, também tem visão bicromática (vermelho e verde). É como se eles, os cães e os gatos fossem daltônicos.

E essa não é a única diferença. As imagens da televisão, por exemplo, não fazem sentido para eles. Nosso olho, assim como o de outros animais, não apaga uma imagem no centésimo de segundo seguinte à captação. Ele ainda a mantém "viva" por uma fração de segundo. Se antes desse tempo surgir outra imagem, você terá a impressão de que as figuras estão em movimento. É o que acontece no cinema e na televisão: as cenas rodam numa velocidade de, no mínimo, 24 imagens por segundo. Se um filme mostrasse só cinco quadros por segundo, seria uma sequência quase pausada de figuras, como um filme em stop motion. É assim que os cães e gatos veem. Eles enxergam mais em menos tempo: um cachorro consegue ver de 70 a 80 imagens por segundo, um gato vê 100 imagens; até o porquinho-da-índia ganha de nós, com 33 imagens por segundo.

 

 Essa percepção-extra faz com que eles vejam a programação de TV como se ela fosse em stop motion, com "cortes" entre cada cena. Além disso, a tela fica tremida e dá para ver a passagem dos quadros, que surgem de baixo para cima. Chaaaato.

As TVs digitais resolveram parte desse problema. Elas rodam numa velocidade mais alta, aí os cachorros conseguem ter uma visão mais parecida com a nossa, sem tremedeira na tela. Ainda assim, isso não basta para prender a atenção deles.

Mas para os cachorros, pelo menos, cientistas criaram uma solução: um canal de TV totalmente voltado a eles. Nicholas Dodman, veterinário e pesquisador da Universidade Tufts, lançou a novidade nos EUA no começo deste ano. O canal, chamado de DOGTV, mostra cenas de cachorros correndo pelo gramado, brincando entre si, pulando na piscina. Cada detalhe dos programas tem a ver com os interesses caninos. As cores foram adaptadas ao mundo "daltônico" deles e os sons também: o barulho da grama enquanto o cachorro passa por ela, o da bola que pinga no chão... O enquadramento também é diferente, as cenas foram filmadas do ângulo de um cachorro. Por exemplo, enquanto o bicho passa pela mata, o cachorro-telespectador vê a grama alta, como se ele mesmo passasse por ela. Dodman testou a eficiência do canal. Ele preparou três cenários para cachorros: canais humanos, como CNN ou Animal Planet, o DOGTV e uma TV desligada. Com monitoramento via câmera, o pesquisador concluiu que 75% deles assistiram pelo menos um bloco a mais do DOGTV do que das outras alternativas. Outra diferença é que cães e gatos enxergam melhor na penumbra. Em volta do glóbulo ocular deles existe uma membrana chamada tapetum lucidum, que funciona como um espelho e reflete toda a luz disponível de volta para a retina. Graças a isso, eles conseguem enxergar até 40% melhor do que os humanos no escuro.

É, perdemos feio nessas partes. Em compensação, temos um ponto a nosso favor: fóveas, que são uma porção de fotorreceptores na área central das retinas. Elas nos permitem ver bem coisas a poucos ou muitos centímetros do nosso nariz. Se você colocar um brinquedo numa distância entre 25 e 40 centímetros do nariz de um cão, provavelmente ele terá dificuldades em vê-lo. Ponto para nós. Mas, grande coisa, ainda ficamos atrás dos pássaros: os papagaios têm quase o dobro de fóveas. Sem contar o fato de os olhos estarem posicionados nas laterais do rosto. Isso permite a ele ver o que acontece ao redor numa panorâmica de quase 360 graus. Se soubessem driblar, seriam ótimos jogadores de futebol - até porque xingar o juiz, os papagaios já sabem muito bem.


O papagaio sabe o que diz?




Ele não grita biscoito à toa. Você ensina o que é biscoito, ele aprende e grita o dia inteiro na tentativa de ganhar mais comida. Muitos deles dizem oi quando você chega e tchau quando vai embora. Eles podem não saber semanticamente o que "oi" significa. Mas vem cá: você sabe, por acaso? Não, porque esse significado nem existe. "Oi" é apenas um som que os falantes de português emitem para avisar que chegaram. E que nós aprendemos quando ainda somos projetos de gente. Por esse ponto de vista, um papagaio dando "oi" é algo tão complexo quanto um ser humano dando "oi".

E talvez eles sejam ainda mais parecidos com a gente. "Acho que entendem o contexto das frases. Dizer que é só imitação é subestimá-los", aposta Susan Friedman. Nada ainda foi comprovado cientificamente, mas 30 anos de pesquisas parecem endossar a opinião de Friedman. Os papagaios podem resolver algumas tarefas linguísticas semelhantes com a mesma habilidade de crianças entre quatro e seis anos. Pelo menos foi assim com Alex, um famoso papagaio treinado pela pesquisadora Irene Pepperberg ao longo de 30 anos. Ele compreendia os conceitos das palavras "mesmo", "diferente", "maior", "menor" e "nenhum", além de saber somar números. No total, conhecia 100 diferentes palavras e distinguia cores e formas. Morreu aos 31 anos de idade, do lado de Irene.


Eles podem não ter as artimanhas do cérebro humano para racionalizar um diálogo e aprender uma língua complexa, mas podem, por associação, entender os contextos de cada frase. Ou, como no caso do cavalo Hans, perceber no íntimo da linguagem corporal do dono como agradá-lo e responder da forma como espera. E não é nada surpreendente.

Eles são bichos sociáveis e se comunicam com outras aves por meio dos sons. Um ruído um pouco mais agudo pode significar perigo à vista, uma conversa à toa, ou um pedido de comida de um filhote. Cada cria, aliás, recebe um nome logo após o nascimento.

Um estudo da Universidade de Cornell colocou câmeras em 16 ninhos de papagaios. As imagens mostram os pais "falando" o nome dos filhos antes mesmo que eles fossem capazes de cantar. Depois de algum tempo, os patriarcas ensinavam os filhos a reproduzirem os sons do próprio nome. Essa troca de nomes também não é sem propósito. Quando as turmas se misturam, fica mais fácil gritar o nome dos companheiros do que tentar encontrá-los no meio da papagaiada. Mas, se há a suspeita de que os papagaios sejam gênios linguísticos, o mesmo vale para os cães e gatos? É o que vamos ver agora.



Todo mundo sabe: um cachorro bem treinado senta quando escuta a ordem. Ou rola e dá a pata. Mas eles entendem que essas cinco letras que formam a palavra "senta" significam "flexione as pernas até apoiar as nádegas numa superfície horizontal"? E que "rolar" é o ato de fazer girar? Não, claro. Mas aquela mania de passar o tempo a observar o dono o deixa pronto para memorizar o som da palavra, a entonação, os movimentos corporais e o que aquilo tudo significa. 


"Eles aprenderam as deixas mais fáceis para eles e não a palavra `senta', que os cães, com seu repertório limitado de sinais vocais, devem achar difícil de distinguir de outras expressões que soem de maneira parecida", conta John Bradshaw, no livro Cão Senso. É a mesma lógica do cavalo Hans: eles aprendem os pequenos sinais corporais do dono.

Para ganhar espaço no mundo dos homens, seu pet aprendeu a observar cada passo seu. Até os porquinhos-da-índia fazem isso: deixe a gaiola num lugar onde não dá para ver nada e você vai perceber a frustração dele - dificilmente o animal vai interagir com você. Ele precisa conhecer os donos para se acostumar com a companhia e viver as mesmas rotinas. Mas para isso o bicho precisa de tempo para observar.

E eles nos entendem profundamente: sabem quem somos, o que fazemos, coisas que nos agradam ou não (mesmo quando desobedecem). Só quem parece ainda não conhecer tão bem os companheiros são alguns humanos. Os pets já superaram essa fase.


OLFATO

 

O nariz apurado de um cão pode salvar vidas: treinados, eles detectam se uma pessoa tem ou não câncer de pulmão só pelo odor do hálito. Mesmo que a doença esteja só no começo. Não há máquina capaz de algo parecido.

HOMEM - 5 milhões de células olfativas

CACHORRO - 300 milhões de células olfativas

O MELHOR OLFATO: URSO - 4 Bilhões de células olfativas


AUDIÇÃO


Nenhum animal doméstico é páreo para o gato no quesito audição. Ele consegue ouvir os sons das vibrações corporais dos cupins. E você chegando no térreo, mesmo que esteja num apartamento no décimo andar.

HOMEM - 20 MIL HERTZ

GATO - 60 MIL HERTZ

A MELHOR AUDIÇÃO: BALEIA-BRANCA (OU BELUGA) - 123 MIL HERTZ

 

VISÃO

 

Temos três receptores de cor nos olhos: um para cada cor primária (vermelho, azul e verde). Os papagaios têm quatro: os nossos mais um para o ultravioleta. O mundo deles, então, é bem mais colorido que o seu.

HOMEM - 3 receptores de cor

PAPAGAIO - 4 receptores de cor

A MELHOR VISÃO: CAMARÃO MANTIS - 12 receptores de cor


PALADAR

 

Cachorros e gatos praticamente não sentem o gosto da comida. Se você quiser um bicho de estimação com paladar apurado, compre um porquinho-da-índia, que tem duas vezes mais papilas gustativas que os humanos. Ou arranje um bagre, o campeão mundial de paladar, com três vezes mais papilas que você.

HOMEM - 9 MIL papilas gustativas

PORQUINHO-DA-ÍNDIA - 17 MIL papilas gustativas

O MELHOR PALADAR: BAGRE - 27 MIL papilas gustativas



Fonte: SuperInteressante (adaptado)

música: Outro nível - Da Weasel
publicado por mímica às 23:07

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Domingo, 5 de Junho de 2011

Raposa é "adoptada" em Vila Real

Isto sim demonstra que os animais selvagens, como a raposa, não são forçosamente inimigos dos humanos. É, pois, possível criar laços entre ambos. É de louvar esta atitude dos habitantes daquela aldeia, já que o mais comum é andarem à caça destes belos animais.
publicado por mímica às 10:36

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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Descoberta “casa dos horrores” em Nova Iorque

 

Uma mulher de 54 anos e a filha, de 23, foram detidas, sábado, pela polícia de Rockeville Centre, em Long Island, estado americano de Nova Iorque, acusadas de felonia de torturarem animais, de acordo com a CBS New York.

No interior da casa onde as duas viviam (apelidada de “casa dos horrores”), as autoridades encontraram as carcaças de 26 animais, incluindo cães, gatos, pássaros e furões, e conseguiram resgatar com vida 13 cães e dois gatos, contou Kate Murray, porta-voz da polícia. A mesma fonte afirmou que encontrar um cenário macabro no interior da casa, agora considerada inabitável. “Parecia um autêntico inferno o lugar onde elas viviam. Alguns dos cães que resgatámos e algumas das carcaças que vimos tinham açaimes colocados e presos com fita-cola”, acrescentou. De tal maneira, que eram impossível aos cães ladrarem, alimentarem-se ou mesmo respirarem. As autoridades municipais tomaram conhecimento da situação depois da polícia ter sido chamada àquela casa, devido a uma fuga de gás, na sexta-feira.

Foram, então, chamados os técnicos do Hemptstead Town Animal Control. “O que os nossos colaboradores viram foi um dos cenários mais horrendos em toda a história da protecção animal”, sublinhou Kate Murray. De acordo com os vizinhos, as duas mulheres detidas eram muito reservadas, mas nunca imaginaram o que se passava no interior da casa. “Foi horrível de ver. Nunca vi nada igual na minha vida. Estas pessoas nunca tiraram os animais das gaiolas. Havia fezes com cerca de oito centímetros de altura e elas viviam ali, nestas condições”, contou à CBS New York, uma vizinha, Terry Sheridan. Kate Murray explicou que os animias resgatados com vivam foram levados para um abrigo e que estarão em condições de serem adoptados dentro de 10 dias. Os animais estavam muito assustados, desidratados e com traumas psicológicos.

O site Examiner.com acrescenta que as duas mulheres declararam-se inocentes e que não lhes foi retirada a propriedade dos animais vivos. O que obriga as autoridades da cidade de Hempstead a recorrer ao tribunal, no prazo máximo de 10 dias, para obter a custódias dos cães e dos gatos.

 

 

Fonte: Adopta-nos Live Love and Care

publicado por mímica às 23:17

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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Vida de cão

publicado por mímica às 01:02

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Anúncio português contra a tourada

Espectacular!
publicado por mímica às 19:52

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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Estudantes contra o jogo Call of Duty, onde são mortos pastores alemães

A matança de pastores alemães em Call of Duty: World at War revoltou um grupo de activistas dos direitos dos animais de um liceu do Massachusetts.

De acordo com Breanna Lucci, presidente da organização, o abate dos cães surge no jogo como uma forma de entretenimento, sendo mesmo um dos objectivos.

«Os pais precisam saber o que andam a comprar aos miúdos. Matar animais não deve ser uma forma de divertimento», declarou a jovem.

Breanna menciona ainda o facto de nem todas as pessoas passarem do virtual ao real, mas alerta que o risco pode existir em algumas.

Os estudantes receberam o apoio da Sociedade para a Prevenção da Crueldade com os Animais.

«Penso que estes jogos são perigosos por uma série de razões. Podemos todos racionalizar e dizer que é tudo a fingir. Mesmo assim por que havemos de fingir que matamos pessoas e cães? Este tipo de jogos contribui para a falta de sensibilização de crianças e adultos no que toca ao significado da violência», afirmou Jen Dupras, responsável para instituição.

 

APOIADOS!!!

publicado por mímica às 16:01

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Sábado, 1 de Julho de 2006

(Brasil) A IRIS BRUZZI MERECE BOICOTE JÁ

O Dia - 23/06/2006
(Coluna Frases - pág.08)     

"Eu adoro casaco de vison. Não estou nem aí se mataram o bichinho"
Iris Bruzzi, actriz que interpreta a ex-vedete Guida Guevara em Belíssima

Existem 2 comunidades para a atriz Monstra Iris Bruzzi que falou esta frase
horrível:
Favor chover de mensagens de indignaçao contra ela:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6748382
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14385488
publicado por mímica às 14:58

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Domingo, 4 de Junho de 2006

O pior da “América” numa televisão perto de si

Imagem de um cavalo num rodeio

 Na telenovela “América” da Globo, da autoria de Glória Perez. , pôde assistir-se a uma promoção descarada dos rodeios, como se de alguma actividade nobre se tratasse.

Não se tratando de uma actividade com tradição em Portugal — ao contrário do que acontece com as touradas, por exemplo — a maioria das pessoas não faz a mínima ideia do sofrimento que os rodeios envolvem, pensando porventura que não se trata de nada de muito condenável. Infelizmente, contudo, não será exagero dizer que os rodeios (ou grande parte deles) são actividades ainda mais cruéis e violentas do que as próprias touradas.

O comportamento aparentemente selvagem que os animais exibem durante um rodeio não é o seu comportamento “natural” ou “normal”. Os animais utilizados nos rodeios são animais mansos e não animais selvagens, como se pretender levar os espectadores a crer. Os cavalos e os touros ou os bois saltam porque se tentam libertar do sedém e da dor que este provoca (o sedém é um verdadeiro instrumento de tortura que comprime a área genital dos animais), sendo que após o sedém ser solto, os animais acalmam-se imediatamente. Os únicos animais selvagens nos rodeios dos nossos dias são os homens.

Os rodeios representam aquilo que de pior nós somos capazes: sujeitar outros animais a um sofrimento atroz apenas para nos divertirmos. Eticamente, são indefensáveis e, como tal, é muito estranho que sejam promovidos desta forma pela SIC, numa telenovela de horário nobre. Na página da telenovela, no Web site da SIC, pode ler-se algo verdadeiramente hilariante:

Ao falar do universo rural dos rodeios, Glória Perez quer mostrar a simplicidade da vida no campo e a relação estreita dos peões com os bichos e a terra. A autora ressalta que um dos propósitos da novela é fazer uma campanha pelos bons tratos aos animais

Pois… afinal esta telenovela promove os rodeios como forma de promover os bons tratos aos animais… O que se seguirá? O diário do Zé-Manel-espanca-a-mulher-todos-os-dias para promover os direitos das mulheres?

(Veja o vídeo da PEA sobre rodeios em:
http://planeta.terra.com.br/educacao/pea/rodeio.wmv)

Créditos: Blogue Pelos Animais

sinto-me:
publicado por mímica às 12:34

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Sábado, 27 de Maio de 2006

TVI e a Apologia das Nulidades

Mude de Canal ou Desligue o televisor!Como se já não bastasse o Circo das Celebridades da TVI (naquilo que parece uma tentativa desesperada de branqueamento da crueldade envolvida nos circos com animais), consta agora que o mais recente herói da telenovela Morangos Com Açucar é nada mais nada menos do que um toureiro.

Normalmente, isto não seria motivo para grande preocupação por parte de quem defende a dignidade dos animais. Afinal de contas, é tão clara e auto-evidente a crueldade envolvida nos circos com animais e nas touradas, que seria preciso alguém andar muito distraído para se deixar levar nesta conversa. Infelizmente, contudo, parece que a maior parte dos Portugueses anda mesmo distraída a esse ponto. Distraída a ponto de colocar a TVI no primeiro lugar das audiências, distraída a ponto de absorver alegremente o sensacionalismo barato, o elogio da mediocridade e da futilidade, e a falta de valores ou princípios.

Sem querer roubar “mérito” à TVI, os principais responsáveis pelo lastimável estado a que esta chegou somos nós enquanto espectadores. Ao ver a TVI, estamos a pagar a publicidade que a sustenta e, consequentemente, a financiar o desrespeito pela dignidade animal e humana que este canal promove. Ao não mudarmos de canal, estamos a contribuir para um verdadeiro retrocesso civilizacional, para que mais animais sofram e para que mais crianças, jovens e adultos pensem que a vida se resume a fama e futilidade. Por si, pelos seus filhos, pelos animais, mude de canal ou simplesmente desligue o televisor…

sinto-me:
música: I don't wanna talk about it dos D'ZRT
publicado por mímica às 12:04

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